Discurso de Pavan
“Falo com emoção, falo com dor no coração, pois sei o quanto a militância estava esperando por este momento. E, tenham certeza, vocês também que eu contava nos dedos este dia para gritar o nome do 45. É duro, mas o Brasil é maior, é duro saber que quem prega a democracia, muitas vezes prega apenas na palavra.E quando tem oportunidade de pisar em cima, eles pisam, pois não tem militância como o PSDB tem caciques, que não tem coragem de apertar a mão do pobre, de atravessar uma vala e entrar em uma favela. São estes caciques que estão ditando regras para o PSDB caminhar. A cicatriz é profunda, a dor é forte, mas o remédio está nas ruas, na luta, defendendo os nosso deputados, estaduais e federais, nosso senador e o nosso presidente José Serra.” Governador Leonel Pavan durante seu discurso, durante a convenção do PSDB.
Fui traído
“Para encurtar caminho e chegarmos mais rápido ao governo, aceitamos e apoiamos Luiz Henrique para ser eleito pela segunda fez, e pela terceira vez, quando estava prestes a perder o mandato. Nós invertemos o placar de três votos a zero. Fomos recebidos como heróis. Nada valeu, não brigaram por nós por 2002, 2006 e pela cassação. Não posso ficar calado, sem dizer isto. Eu fui traído, porque sai do Senado para ser o candidato a governador. O jogo político, às vezes, nos envergonha, desconstroi aquilo que construímos. Esperava que brigassem por mim como fiz três vezes e nunca faltei com a palavra. Assumi o governo e não mexi com ninguém por que não sou vingativo, pois não faço política com o fígado, eu olho o Estado e as pessoas”, disse Pavan.
Missão quase impossível
A Tríplice Aliança foi fechada na marra, isso todos sabem, o que distanciou Leonel Pavan, que ficou magoado pela forma que os tucanos foram “convidados”. Os líderes da Tríplice, Raimundo Colombo e Eduardo Moreira, estão esperando o ex-governador Luiz Henrique voltar para tentar se aproximar de Pavan. Com certeza, não será uma missão das mais fáceis e, em seu discurso, Pavan deixou claro que os tucanos irão trabalhar para seus deputados e senado. Quanto à Tríplice, nem fale perto do homem.
Homenagear Pavan?
O ex-governador e candidato ao Senado Luiz Henrique, Raimundo Colombo e Eduardo Moreira devem promover um grande evento, no fim do mês, em Florianópolis, com a presença de Serra, para homenagear Leonel Pavan e o gesto de renúncia, praticado em favor da unidade da coligação. Sinceramente, só isto não vai bastar. Pavan está magoado até com José Serra, pela forma que ele e o partido trataram Santa Catarina. Quanto à militância, está indignada com o PMDB e DEM.
Defesa de LHS
O único que saiu em defesa do ex-governador Luiz Henrique durante a convenção do PSDB foi o candidato ao Senado Paulo Bauer, que lembrou: “Nós vimos o ex- governador Luiz Henrique da Silveira dizer, por todos os cantos de Santa Catarina, que ele era Serra e que iria defender a Tríplice Aliança, custe o que custar. Ele não só disse, como enfrentou dentro do partido dele, aqueles que divergiam e queriam a candidata do PT (Dilma Rousseff). LHS venceu para que a vontade dele e da maioria fosse a favor de José Serra, isto tem que ser dito e respeitado, pois é do nosso interesse”, disse Bauer.
Moreira deixa a presidência
O ex-governador Eduardo Pinho Moreira não está mais presidindo o diretório estadual do PMDB. Na noite de quinta-feira (1º), segundo informou, recebeu na sede do partido a notificação da decisão sobre a suspensão cautelar de sua filiação partidária.
Suspensão
O Diretório Nacional do PMDB remeteu na quinta-feira ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina o ofício n. 136/10, solicitando “a suspensão da homologação da Ata da Convenção Estadual do dia 26 de junho de 2010, apenas no que tange ao candidato a vice-governador do PMDB, na coligação com o partido Democratas. Com isso, a presidência do Diretório de Santa Catarina foi transferida ao vice-presidente, deputado João Matos. Mais uma bomba que o PMDB catarinense terá que desarmar.
Estratégia
Para setores do PMDB fica evidente a estratégia de impedir a presença de Moreira na chapa de Colombo para liquidar com a tríplice aliança tão desejada pelo ex-governador Luiz Henrique.
Não queria...
Pois é, Pinho Moreira sempre relutou em ser vice, defendia abertamente a cabeça de chapa e brigava quando alguém falava na possibilidade dele ser vice. E, agora, está lutando para manter a sua filiação e, consequentemente, permanecer como vice na chapa de Raimundo Colombo.
Sem compromisso
Como venho falando, muitos tucanos não irão assumir o compromisso com a Tríplice, apenas com seus deputados. Um exemplo é o prefeito tucano de Criciúma, Clésio Salvaro que afirmou não ter compromisso com nenhum candidato a governador. Nem com Raimundo Colombo, do DEM e da Tríplice Aliança, nem com Ângela Amin, do PP. Por enquanto, ele só vai fazer campanha apenas para o "45" (PSDB). Isto deve acontecer com muitos prefeitos tucanos no Estado.
Pedir votos
"Eu só vou pedir votos para o Luiz Henrique, porque ele tem como primeiro suplente o Dalirio Beber, do PSDB. Não tenho nenhuma decisão sobre abrir dissidência, ou qualquer movimento no PSDB para apoiar Ângela. O DEM está fazendo um estrago incalculável na candidatura do Serra e aqui em Santa Catarina fez explodir a Tríplice Aliança, pela forma ditatorial como encaminhou". Discurso de Clésio Salvaro, prefeito de Criciúma.
Senado
Em uma das simulações da Brasmarket entre os candidatos ao Senado, que estarão na disputa, aparece Luiz Henrique (PMDB) com 40%, seguido à distância por Paulo Bauer (PSDB) com 10%, Cláudio Vignatti (PT) com 8% e Hugo Biehl (PP) com 6%. Deve-se considerar que Biehl não estava em peregrinação pelo Estado, colocando seu nome para o Senado.
Evento do PP
Está marcado para o dia 11 de julho um grande evento nacional, onde o PP hipotecará apoio irrestrito à presidenciável Dilma Rousseff. Em Santa Catarina será formado um comitê pró-Dilma, com integrantes do PP e do PDT.
Pesquisa
Está uma verdadeira ciranda de pesquisa, cada dia os números mudam. A última pesquisa do Datafolha, publicada sexta-feira (3) após as convenções, mostra uma reação do candidato do PSDB, José Serra, que voltou a empatar em intenções de voto com sua rival do PT: José Serra tem 39% e Dilma Rousseff 38%. Marina Silva (PV) tem 10%.
Candidatos
O PT terá seu menor número de candidatos próprios a governador neste ano: apenas 10. É a consolidação de uma tendência já verificada nos últimos anos. Os petistas agora priorizam eleger Dilma Rousseff como sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Depois, a ordem é fazer grandes bancadas na Câmara e no Senado.

